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I.                                    Ementa

Examinar uma série de textos clássicos e contemporâneos que descortinam aspectos da formação do Brasil e alguns de seus desdobramentos filosóficos e políticos.

Darcy Ribeiro foi ativo defensor da ideia de que é preciso conhecer o Brasil para transformá-lo. Esta noção, expressa primeiramente por Gilberto Freyre na obra Casa Grande & Senzala, foi compartilhada por uma ampla tradição – a assim dita tradição crítica brasileira. Esta tradição se contrapõe ao que Antonio Candido chama de “naturalismo dos velhos intérpretes da nossa sociedade”, como Silvio Romero e Oliveira Viana. A novidade da tradição crítica consiste em compreender o “atraso” nacional como fruto do processo histórico e social de formação nacional - portanto superável – e não como fruto de aspectos naturais da composição nacional, como raça e clima. Esta virada na maneira de explicar as causas do “atraso nacional” é a marca distintiva da tradição crítica.

 

 

II.                                  Objetivos

Investigar a instituição de um campo do discurso e do pensamento que se consolida como a formação do Brasil, ou o Brasil como problema. Ao refazer essa trajetória conceitual, buscar-se-á compreender como a tradição crítica mobilizou certos conceitos, dentre eles os deprecariedade” eabundância”, os deliberdade” edominação”, “atraso” e “progresso”, “centro” e “periferia”.

O curso pretende oferecer aos estudantes a oportunidade de acompanhar a dinâmica interna de textos seminais na instituição do pensamento brasileiro, apontando algumas conexões com a realidade política da contemporaneidade. O interesse não é propor um estudo estritamente histórico, mas investigar certas dimensões e possíveis imbricamentos entre conceitos que inegavelmente têm uma carga instituinte e instituidora nos dilemas que o Brasil atravessa atualmente.

 

III.                                Conteúdo programático

 

·         Antecedentes: o problema da formação como campo de investigação.

·       O enigma da formação: Antônio Cândido, Paulo Arantes e Roberto Schwarz.

·       Os “pais fundadores”: Joaquim Nabuco, Gilberto Freyre, Sérgio Buarque de Holanda e Caio Prado Jr.

·       O Brasil como problema: Darcy Ribeiro e Francisco de Oliveira.

·       Uma sociedade autoritária? Marilena Chauí, Lelia Gonzales, Lilia Schwarcz, Mario Theodoro e Ailton Krenak.

 

 

IV.                                 Metodologia de ensino

 

Exposição dos temas pelos professores em encontros predominantmente presenciais, com a possibilidade de encontros remotos síncronos (no limite de 30%)  com a participação da plateia discente, com suporte em textos previamente assinalados, com ou sem recurso a equipamentos audiovisuais;

Exploração da matéria sob forma de atividades práticas (seminários em grupo de produção extraclasse e discussão em encontros virtuais);

Palestras sobre temas específicos relacionados à disciplina, ministradas por professores convidados



V.                                 Avaliação

O curso avaliará o aproveitamento dos alunos por meio de duas avaliações individuais. Um seminário e uma dissertação final, ambos com temas previamente definidos. É desejável que os alunos tenham conhecimento instrumental de pelo menos uma língua estrangeira.

 

Entrega da Dissertação (data limite e improrrogável): 05/12/2025.

Grau de Ensino: Mestrado/Doutorado
FiloPol_2025/2
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