Na disciplina Fundamentos Biológicos III apresentam-se as
bases teóricas para compreensão dos determinantes biológicos, manifestações fisiopatológicas
e clínicas, bem com, da história natural das principais doenças transmissíveis
de importância em Saúde Pública. Identificam-se as principais doenças infecciosas
e parasitárias, seus mecanismos de transmissão e história natural. Estudantes
de Saúde Coletiva devem possuir ferramentas adequadas para a compreensão dos
ciclos e dos determinantes biológicos das doenças transmissíveis com a
finalidade de se prepararem para suas atividades profissionais no sentido de
conseguir correlacionar o diagnóstico, as estratégias de prevenção, controle,
vigilância e organização de serviços contribuindo a definir ou redimensionar políticas
de saúde.
São exemplos da relevância das doenças infecciosas, além da
persistência de problemas como dengue (com piora da situação nos últimos verões)
ou HIV (com maior incidência entre jovens nos anos recentes), as emergências
apresentadas pelas epidemias de Influenza A – gripe suína (maio /
2009), Sarampo (dezembro / 2013; e 2017-18), Febre
Chikingunyia (desde setembro-outubro / 2014), Zica Vírus
(desde março / 2015) e Febre Amarela (exacerbação no verão
2017-2018), além da ameaça de febre de Ebola.
Desde fevereiro de 2020, a pandemia de Covid-19
modificou substancialmente nossas vidas evoluindo para mudanças no padrão
epidemiológico após a introdução da imunização e o surgimento de variantes. Já
antes da pandemia de Covid-19, mudanças epidemiológicas de padrão de frequência
e distribuição motivaram novas intervenções no calendário vacinal (HPV, Hepatite
A, Febre Amarela, Sarampo) e nos tratamentos da Tuberculose e da
Sífilis.
Em abril de 2022, foi divulgada uma epidemia de Varíola
Zoonótica (varíola dos macacos-monkey pox), afetando seres
humanos na Inglaterra; menos de 2 meses depois, o Brasil registrou o 1º caso
confirmado (09/06/22) e investigavam-se mais 7 casos suspeitos. Até 30/01/2024 haviam sido confirmados 11.212
casos e 425 foram classificados como prováveis (impossíveis de serem
investigados ou confirmados). Esses dois
números representam 20,3% da notificação geral.
A maior parte desses casos ocorreu no ano de 2022, com diminuição ao
longo de 2023, e novo discreto aumento entre a semana epidemiológica 42 de 2023
e a 3ª semana de 2024.
Destacamos que no Brasil, até a semana epidemiológica 26 de
2024, ocorreram 6.215.260 notificações de casos de Dengue, com 82.908
casos de notificados de dengue grave ou com sinais de alarme (a maioria
correspondendo a dengue hemorrágica) e 4.269 óbitos ocorridos no mesmo período segundo
dados da SVS, Ministério da Saúde.
Por último, informamos que a descentralização do diagnóstico
da Febre Oropouche, arbovirose endêmica na região Norte do
Brasil, fez com que fossem detectados casos incidentes em outras regiões.
Destacamos, para a primeira metade de 2024 (época de chuvas e de maior
sazonalidade), a Bahia no Nordeste, Espírito Santo no Sudeste, e Santa Catarina
no Sul. Estas notificações acendem a luz
de alerta para uma arbovirose que, a semelhança da Febre Amarela, inclui no seu
ciclo mamíferos silvestres, além de um vetor muito disseminado na geografia
brasileira.
Mostra-se, portanto, a importância das doenças infecciosas
no nosso cotidiano.